14 de abril de 2025

Em homenagem a tudo aquilo que eu não pude sentir #3



/Reproduction Pinterest


Essa é a quarta vez que o telefone toca desde que acordei. Passo direto pela sala até a cozinha, ligo a cafeteira, e volto para atender o telefone.

- Alô?! - Digo.
- Finalmente. 
Escuto a voz já um pouco impaciente, e penso se escutei bem:
- Quem é?
- O Heitor. Não reconhece mais minha voz?
Quanta saudade. Penso.
- Quanto tempo. - Falo, indiferente, fingindo que o coração não tá pulsando na garganta.
Ele fica calado, e meu coração bate descompassado.
- Oooi? - Espero alguma resposta, mas não tenho nada.

Escuto alguém bater na porta.

14 de março de 2025

Em homenagem a tudo aquilo que eu não pude sentir #2



Reprodução: Pinterest

Você pode ler ouvindo Selena Gomez - Back To You (Acoustic)


Escuto o telefone da sala tocando, e acordo assustada.
Sento na cama, vejo o Sol entrando pela janela do meu quarto, e tento entender o que aconteceu: eu havia sonhado mais uma vez.

Existem inúmeros sentimentos dentro de mim, e eu consigo lidar com todos eles, o que eu não suporto é quando apenas um, em específico, faz questão de fazer morada no meu peito, diminuindo, inclusive, o fato de que existem todos os outros.

Não gosto quando isso acontece, porque além de ser pega de surpresa, eu fico torpe por tempo indeterminado. Da última vez, foram cinco dias seguidos.

Desse vez, eu fui pega ontem a noite, pode ter sido porque noites chuvosas lembram muito as que eu passei com ele, ou como o frio parece tão mais forte quando ele não está aqui, pode ter sido uma mistura de tudo... principalmente, porque eu o vi, no finzinho da tarde, bebendo uma cerveja com alguns amigos, e eu nem sabia que ele estava na cidade.

Eu já sentia falta dele antes, sabe. Nos primeiros dias, quando ele foi embora, era ensurdecedor, mas sabemos os milagres que o tempo (e muitas garrafas de Cortezano) pode fazer. Quando eu o vi, com seu cabelo preto bagunçado e sua barba por fazer, rindo de alguma coisa que alguém falou, senti como se um arranha-céu surgisse bem no meio do meu peito, rasgando as camadas da minha pele, machucou tipo assim.

Então, eu tomei banho com todas as nossas lembranças na minha cabeça: as vezes que dançamos juntos na sala do seu apartamento, com as luzes apagadas, ou todas as conversas que tivemos na janela do seu quarto, vendo as estrelas e sentindo a brisa da noite no meu rosto, com as mãos dele enroscadas na minha cintura, e sua boca pertinho da minha orelha.

Quando sentei na mesa para jantar, eu olhei a xícara do café e vi claramente cada uma das nossas noites mais difíceis, as nossas discussões, como elas eram foda, e como sempre ficamos mais fortes quando nos reconciliávamos, porque esses momentos eram cruciais para percebermos o quanto gostávamos um do outro.

Eu tentei fazer as coisas que eu precisava fazer: abri o notebook para continuar escrevendo o artigo que o jornal solicitou, mas, eu me senti tão cansada emocionalmente, que não me atrevi a escrever sequer um parágrafo. Tentei ler alguma coisa que me fizesse sentir algo que não fosse isso que sinto por ele, peguei a guitarra que um amigo emprestou e comecei a tentar algo, falhei em todas as minhas tentativas de fugir de mim mesma.

Então, quando deitei para tentar dormir, eu fiquei encarando o teto do meu quarto, e deixei que aquilo me atingisse de vez: eu ainda sentia muito. Não apenas sinto muito porque ainda tem muita coisa aqui quando se trata dele, é como se ele tivesse ido embora e deixado todas as suas roupas no guarda-roupas, e o seu lado da cama bagunçado só para eu saber que ele estaria aqui, em breve.

Mas, eu sinto muito porque, se eu soubesse que o nosso "pra sempre" acabaria tão cedo, eu teria aproveitado mais. Eu extrapolaria. Seria exagerada, como o Cazuza canta, só não estaria jogada aos pés, mas sim no colo dele, sentindo cada tracinho da sua pele e como sou eletrizada pelo seu toque e como as suas mãos adentrando no meu cabelo me fazem desmontar inteirinha.

É tudo tão incrível porque, ao mesmo tempo que posso ser eu mesma, forte e inquebrável, cada pedacinho meu se desfaz por ele, e não há nada mais delicioso do que ser verdadeira assim, e eu só pude com ele, porque eu nunca confiei em ninguém dessa forma, muito menos depois dele.

Quando ele foi embora, fizemos questão de não nos despedirmos, primeiro porque estávamos muito machucados um com o outro, porque a gente sabia que essa brincadeira de fingir que não sente nada, e que era tudo sobre amizade colorida, acabaria assim, mas ainda assim nós continuamos. Segundo, porque machucaria mais ainda ter que nos beijarmos, conscientes de que era o nosso último beijo.

(Continua)

7 de março de 2025

Identidade poética



Reprodução: Google

Hoje o mercado artístico no Brasil é muito concorrido, as portas foram se abrindo e está um pouco menos difícil do que antes para aparecer, isso graças a internet. Mas, as formas e as coisas que precisamos nos submeter para estarmos em alguma posição importante, ser conhecido e ter o devido valor são muito complexas. Primeiro, porque é muito complicado encontrar pessoas que acreditem no nosso potencial e tenha condições de investir no nosso talento, e segundo porque é mais complicado ainda vender uma arte que todo mundo quer ver, mas não tem nada a ver com quem você é, a sua identidade e licença poética, e é sobre isso que escrevo hoje.

Vou falar sobre a minha experiência porque é melhor falar sobre o que eu sei, do que tentar me colocar no lugar dos outros sem saber exatamente como é.

Eu tenho um apego e preferência muito grande por músicas internacionais e a literatura inglesa, e já fui muito julgada por isso, porque, em muitas das coisas que escrevo fica explícito. Inclusive, já me julgaram porque utilizo muitas músicas em inglês quando coloco para que vocês possam ouvir enquanto leem meus textos. Escuto muito que eu deveria valorizar a cultura brasileira, as músicas, os escritores, os artistas que são da mesma nacionalidade que eu. E eu compreendo, ainda mais porque sinto na pele o que é a falta de valorização em diversos pontos sobre o mercado artístico brasileiro. Só que eu sou o que sou. E gosto de ser fiel a minha personalidade.

Eu gosto de ver que têm pessoas que aceitam e gostam do meu trabalho do jeito que ele é, com a minha cara, minha identidade, porque os meus livros e meus textos que publico aqui no blog, ou no Facebook ou no Instagram, são justamente uma releitura de mim. O que eu sou, o que sinto, o que gosto, e o que eu quero mostrar de mim para vocês.

Já falei muito sobre o amor, e acho que vou continuar por muito tempo, talvez sempre sendo julgada por ter esse jeito meio tolo de acreditar em algo que muitas pessoas já estão desacreditadas, mas eu sou assim, essa sou eu e eu sinto que essa é a minha missão: mesmo sendo julgada, ou mal interpretada, estou aqui dando sempre o melhor de mim, na esperança de que, com as coisas que escrevo, vocês possam sentir um pouco sobre o que é o amor, ou alguma coisa boa, como as que sinto e tento passar quando escrevo.

Então, eu aceito a culpa de supervalorizar a cultura inglesa, porque faz parte da minha identidade, e para mim está tudo bem fazer parte da cultura brasileira que é pouquíssimo valorizada. Porque eu prefiro ser eu, demonstrar quem sou, o que sinto, ser sincera sobre as coisas que penso, sinto e agradeço muito a Deus por este dom que Ele me deu e por vocês serem sempre tão carinhosos e abertos comigo, exatamente como eu tento ser com vocês.

Eu gostaria de falar também sobre um amigo super talentoso que tenho, porque ele entende muito bem o que escrevo aqui, porque é complicado fazer algo por obrigação, para agradar os outros, sendo que desagrada o seu coração, você não está sendo fiel ao que sente e quem você é.

Ele é um músico muito foda, super talentoso, toca guitarra e violão como ninguém, ele tem o feeling com a música, entende? E em uma oportunidade, ele me falou sobre que o que importa é justamente isso, o sentimento, o que ele sente e passa para as outras pessoas quando toca, e eu posso dizer com coração ou de forma crítica que você, com certeza, sentiria o mesmo que eu quando ouvisse ele tocando. O sentimento é puro, genuíno, é quase perfeito, só não o é porque acaba. E ele não sente a mesma coisa quando toca músicas que saem do seu perfil, da sua identidade, que fogem de quem ele é.

Por isso é importante demonstrar e ser sempre quem você é. Em algum momento, vão te pagar por isso, e não somente em forma de dinheiro.

Prefiro ser quem eu sou, e receber o pagamento em forma de carinhos, palavras encantadoras e elogios motivadores, do que ser uma pessoa que não sou e ser extremamente rica.

Eu acho que a melhor arte é aquela feita com o coração, seja ela em português, inglês, espanhol, ou em qualquer outra das seis mil, novecentas e doze línguas que existem.

Apenas seja quem você é, sempre.
Há espaço e amor para cada um, do jeitinho que são.

E eu sou grata pelo cantinho que vocês reservam no coração de vocês para mim.


Grande abraço,
de quem nunca vai deixar de ser verdadeira.

21 de fevereiro de 2025

Sou Grata



@__iasmimsantos

Eu te perdoo,
pelos seus erros,
suas falhas,
suas cicatrizes,
dores,
desilusões,
desamores,
pela realidade que, às vezes, te suga,
pelas vezes que o egoísmo ou a sua abnegação te magoaram de alguma forma,

Me perdoe,
porque a sua intensidade, sensibilidade e fragilidade te trazem a dualidade de cada um desses sentimentos,
cada coisa boa,
ou ruim,
elas foram necessárias.
têm sido,
mesmo que machuque,
te entorte, envergue,
e às vezes até te quebre,
tem sido necessário,
as pérolas são feitas através de atrito,
como você tem sido pelo seu silencioso grito,
mudo, engasgado,
como alguém olhando fixamente para alguma coisa,
e sem dizer uma palavra,
deixa que todo o baque
da glória (e da coisa contrária a isso) de ser quem se é:
frágil, incrível, impossível,
e singular.

E por isso eu te amo,
por todas essas coisas,
e todas as outras que te fazem você ser quem você é,
e que ninguém precisa saber,
ou conhecer,
porque somente a solitude permite o autoconhecimento,
e o amor próprio é como um texto que para ser escrito
precisa ser idealizado e construído, em cada pequeno frase, oração, com seus erros e seus acertos,
como um texto inacabado,
que continua mesmo depois que o escritor pare de o escrever,
como o amor que continua sendo amor,
mesmo que você não o diga,
mas eu o disse, e você já sabe,
e por tudo...
eu sou grata.

Tudo bem não está tudo bem,
tudo bem sentir muito,
eu me perdoo,
eu sou grata,
e
eu me



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Sinto Muito,
Me perdoe,
Eu Te Amo,
Sou Grato.