
Máquina de escrever (Reprodução: Pinterest)
A definição geral deste termo é “a destruição de conhecimentos, de saberes, e de culturas não assimiladas pela cultura branca/ocidental” ou generalizando um pouco mais o termo, uma vez que tornou-se uma prática recorrente, também quer dizer “apagamento sistemático de produções e saberes produzidos por grupos oprimidos”.
Quando analisamos os livros que mais fizeram sucesso durante nossa adolescência ou os que mais estão “hypados” atualmente, noticiamos o fato de que 94% do conteúdo que consumíamos era voltado para literatura internacional e que vivemos anos estigmatizados, primeiro como leitores que sofremos muita influência pela mídia (e o que sempre esteve em alta, sendo julgado com alto valor, eram os livros estrangeiros) e segundo – e de forma especial – como autores e autoras, produtores de conteúdos tão bons quanto, se não melhores, mas que não recebe o devido valor.
Com o advento da internet e dos e-books, especialmente no período pandêmico e pós pandemia, percebe-se o aumento do número de autores nacionais publicando suas obras, não com editoras renomadas ou prestadoras de serviço, primeiro porque as primeiras ainda são difíceis de alcançar e as segundas são as PJs que dizem que irão realizar nossos sonhos, mas que precisamos pagar o equivalente a um ano do nosso salário líquido, isso quando temos algum emprego de carteira assinada.
Os autores brasileiros estão conquistando seu público leitor por si só, através de muito empenho, disciplina e dedicação. Até pouco tempo atrás, estávamos começando a engatinhar no Instagram, Twitter, TikTok, entre outros, hoje fazemos dessas plataformas nosso palco, onde nós mesmos somos marketing, criador de conteúdo, cientista de dados, CEO, fotógrafo, historiador e outros afins, tudo isso porque temos sonhos lindos e brilhantes e queremos realizá-los.
O fato é que precisamos fazer tudo isto, com tanta garra, porque somos uma classe inferiorizada pelo nosso próprio país, sendo que nós deveríamos estar sendo valorizados e incentivados. Não adianta o governo criar projetos e programas como a Lei Rouanet, se os beneficiados serão sempre pessoas que já tem algum poder aquisitivo ou renome.
Não adianta comprarmos livros de autores estrangeiros excelentes, mas não darmos oportunidade para os nossos conterrâneos, seja incentivando algum colega ou amigo de sala, no colégio, a continuar escrevendo, ou elogiando o artigo que saiu em algum jornal ou revista, ou até mesmo comprando o livro digital ou o físico que para terem se tornado reais foram meses de produção, revisão, edição, editoração, publicação e divulgação.
Nosso papel, primeiro como leitores é divulgar e apoiar o trabalho dos autores nacionais que conhecemos, acompanhamos e dar a oportunidade de conhecer novos, pois são muitos e extremamente talentosos.
Enquanto figuras protagonistas, autores devem apoiar uns aos outros, evitando julgamentos, superiorização ou inferiorização – cada um cresce dentro da própria realidade, sendo gentis uns com os outros, sendo para eles o que queríamos que fossem conosco: empatas, humanos, leitores.
Cada um fazendo a sua parte, conquistaremos cada vez mais nosso lugar no mundo, que é tão grande e diversificado, sem comentar que luzes não ocupam espaço, elas brilham juntas.
Te desafio a pesquisar autores(as) nacionais e ler alguma obra de algum deles (as). Você pode incentivar a literatura brasileira comprando e-books (alguns não chegam a custar R$6,00) ou simplesmente divulgando esses livros nas suas redes sociais. Se você quiser, primeiro pode consumir o conteúdo nos perfis de cada um para ver com o que mais se identifica.
Cada um fazendo a sua parte, estaremos colaborando para a desmarginalização literária brasileira. Nossos autores precisam deste lugar.






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