17 de novembro de 2024

A incapacidade humana de guardar opiniões indesejadas



Reprodução: @viihtube


Ao longo desta semana, após a influenciadora Viih Tube anunciar o nascimento de Ravi, seu segundo filho, e contar que precisou fazer uma cesárea de emergência após 19 horas de parto, as pessoas na internet decidiram se pronunciar, levantando insinuações sobre ela “não ter aguentado” o parto normal ou que ela estava usando a situação por pura mídia. “Ela é uma figura pública, está sujeita a isso” você poderia falar, mas até que ponto é possível usar isso para esconder a maldade das pessoas? Até que ponto a liberdade de expressão pode ser utilizada na internet para justificar como as pessoas conseguem ser cruéis?

Porque, claramente, uma mulher que enfrentou 19 horas de trabalho de parto, está se recuperando e enfrentou mais três dias na UTI, precisa desse tipo de comentário, apenas porque as pessoas têm suas opiniões e precisam expor, não é?

Comumente, essa é a realidade de muitas mulheres, gestantes ou cujos filhos já nasceram. Para as gestantes, que estão vivendo diversas transformações, físicas e psicológicas, acabam submissas a comentários desnecessários, onde pessoas muito próximas despejam suas opiniões, sem que ninguém sequer tenha pedido, falando coisas como “mas, tal pessoa na gravidez fez tudo até o último momento” ou então “mas, isso é frescura, você não pode ser desse jeito”, “mas, quando o bebê nascer você não pode fazer assim”.

Enquanto mulheres vivendo o período puerperal, se adaptando a nova rotina, mal conseguem dormir ou cuidar direito de si mesmas, totalmente imersas na maternidade, são colocadas em posições constrangedoras ou desconfortáveis, simplesmente porque as pessoas não respeitam seus limites, seus “nãos”, e muitas são vistas com maus olhos, porque precisaram se exceder ao ter seu espaço e momento desrespeitado. Acontece o tempo todo, todos os dias.

Porque as pessoas não podem guardar suas opiniões, não conseguem se colocar no lugar do outro e ter um pouco mais de sensibilidade, não conseguem conter suas línguas, ou dedos, com justificativas obsoletas. As pessoas não pensam, apenas falam.

A verdade é que grande maioria dessas pessoas, quando o assunto é gravidez e maternidade, já viveram tudo da forma que desejaram – ou não, e tentam despejar suas frustrações nas outras mulheres – e não conseguem respeitar que as pessoas são diferentes e cada uma faz as coisas do seu modo.

As pessoas são incapazes de demonstrar respeito, porque estão ocupadas demais querendo opinar, muitas vezes se escondendo na justificativa de que “só estou falando, porque eu já vivi, sei como é”, ainda assim, as realidades são diferentes, são corpos e organismos diferentes, que se transformam e se adaptam cada um do seu jeito.

Há mulheres que conseguem lidar bem com as mudanças que acontecem em seus corpos, mesmo com os momentos difíceis, se sentem bem e felizes com tudo o que estão vivendo, mas essas mulheres também podem ficar inseguras, insatisfeitas com determinada coisa sobre si, sentir qualquer desconforto enquanto cuida dos afazeres em casa ou no trabalho, e o que as pessoas falam podem se tornar ecos e tornar ainda mais complicado o que poderia ser mais leve.

Então, fica aqui a reflexão para a próxima vez que alguém quiser opinar, com pessoas próximas ou em comentários nas redes sociais, sem esquecer, nunca, que é um mundo grande, cruel e injusto, o mínimo que as pessoas precisam fazer é ser gentis umas com as outras. E, no mais, guardar para si as opiniões que ninguém pediu – as pessoas não têm noção do que elas podem fazer.

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