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| Reprodução: @viihtube |
Ao longo desta semana, após a influenciadora Viih Tube anunciar o nascimento de Ravi, seu segundo filho, e contar que precisou fazer uma cesárea de emergência após 19 horas de parto, as pessoas na internet decidiram se pronunciar, levantando insinuações sobre ela “não ter aguentado” o parto normal ou que ela estava usando a situação por pura mídia. “Ela é uma figura pública, está sujeita a isso” você poderia falar, mas até que ponto é possível usar isso para esconder a maldade das pessoas? Até que ponto a liberdade de expressão pode ser utilizada na internet para justificar como as pessoas conseguem ser cruéis?
Porque, claramente, uma mulher que enfrentou 19 horas de trabalho
de parto, está se recuperando e enfrentou mais três dias na UTI, precisa desse
tipo de comentário, apenas porque as pessoas têm suas opiniões e precisam
expor, não é?
Comumente, essa é a realidade de muitas mulheres, gestantes
ou cujos filhos já nasceram. Para as gestantes, que estão vivendo diversas
transformações, físicas e psicológicas, acabam submissas a comentários desnecessários,
onde pessoas muito próximas despejam suas opiniões, sem que ninguém sequer tenha
pedido, falando coisas como “mas, tal pessoa na gravidez fez tudo até o último
momento” ou então “mas, isso é frescura, você não pode ser desse jeito”, “mas,
quando o bebê nascer você não pode fazer assim”.
Enquanto mulheres vivendo o período puerperal, se adaptando
a nova rotina, mal conseguem dormir ou cuidar direito de si mesmas, totalmente
imersas na maternidade, são colocadas em posições constrangedoras ou
desconfortáveis, simplesmente porque as pessoas não respeitam seus limites,
seus “nãos”, e muitas são vistas com maus olhos, porque precisaram se exceder
ao ter seu espaço e momento desrespeitado. Acontece o tempo todo, todos os
dias.
Porque as pessoas não podem guardar suas opiniões, não conseguem
se colocar no lugar do outro e ter um pouco mais de sensibilidade, não conseguem
conter suas línguas, ou dedos, com justificativas obsoletas. As pessoas não
pensam, apenas falam.
A verdade é que grande maioria dessas pessoas, quando o
assunto é gravidez e maternidade, já viveram tudo da forma que desejaram – ou não,
e tentam despejar suas frustrações nas outras mulheres – e não conseguem
respeitar que as pessoas são diferentes e cada uma faz as coisas do seu modo.
As pessoas são incapazes de
demonstrar respeito, porque estão ocupadas demais querendo opinar, muitas vezes
se escondendo na justificativa de que “só estou falando, porque eu já vivi, sei
como é”, ainda assim, as realidades são diferentes, são corpos e organismos
diferentes, que se transformam e se adaptam cada um do seu jeito.
Há mulheres que conseguem lidar bem com as mudanças que acontecem
em seus corpos, mesmo com os momentos difíceis, se sentem bem e felizes com
tudo o que estão vivendo, mas essas mulheres também podem ficar inseguras, insatisfeitas
com determinada coisa sobre si, sentir qualquer desconforto enquanto cuida dos
afazeres em casa ou no trabalho, e o que as pessoas falam podem se tornar ecos
e tornar ainda mais complicado o que poderia ser mais leve.
Então, fica aqui a reflexão para a próxima vez que alguém
quiser opinar, com pessoas próximas ou em comentários nas redes sociais, sem
esquecer, nunca, que é um mundo grande, cruel e injusto, o mínimo que as
pessoas precisam fazer é ser gentis umas com as outras. E, no mais, guardar
para si as opiniões que ninguém pediu – as pessoas não têm noção do que elas
podem fazer.







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