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| Daiane Simumpande |
Vivemos em um mundo em que mulheres como Maria Firmina dos Reis, Dandara dos Palmares, Carolina Maria de Jesus e Tereza de Benguela são exemplos de resistência, luta e liderança, porque desestruturaram – à duras realidades – a sociedade patriarcal e machista, além do racismo que perdura até os dias atuais.
Não somente estas, mas também devemos relembrar nomes como Enedina Marques, conhecida como a primeira engenheira negra do Brasil; Antonieta de Barros – filha de uma mulher que foi escravizada – foi uma das primeiras mulheres eleitas no país, ocupando o cargo de deputada estadual de Santa Catarina, em 1934; Tia Ciata, mulher negra baiana que mudou-se para o Rio de Janeiro, é considerada uma das precursoras do samba na cidade carioca.
Desde 1992, na data de 25 de julho comemoramos o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, assim como também comemoramos o Dia da Mulher em março, são datas pontuadas para celebrar e honrar as mulheres ao longo dos anos.
No entanto, de que modo celebramos o feminino de fato? Como, nós, mulheres negras somos honradas realmente? É evidente que enfrentamos muitas lutas – somos frutos das nossas ancestrais, não somente das dores do parto, mas também pelas guerras e desafios que enfrentaram, bem como as inúmeras marcadas impregnadas pela violência.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2023, houve um aumento de 1.467 casos de feminicídio no país, sendo que 63,6% dessas vítimas eram mulheres negras e grande maioria foram mortas em suas casas; desde 2011, os casos de estupros aumentaram 91,5%, sendo que 88,2% eram mulheres e 52,2% das vítimas eram negras.
Os números e porcentagens acima ilustram como muitas das felicitações que recebemos no dia da mulher ou honrarias na presente data, são frutos de uma hipocrisia e um mundo cruel que nós, mulheres, precisamos enfrentar, enquanto nos desenvolvemos como pessoas – sendo mães, irmãs, amigas, profissionais, líderes, guerreiras.
Celebramos 8 de março, 25 de julho, mas também outras inúmeras datas ao longo do ano, persistimos, resistimos, lutamos e – contrariando todas as possibilidades – amamos, embora o mundo continue nos violentando de formas inimagináveis.
Mulheres, celebremos esta data não somente como um retrospecto, mas também observando nosso presente e honrando nossas mães, irmãs, filhas, amigas – sejam elas conscientes ou silentes da realidade histórica e irrefutável que vivemos.
Mas também façamos nossa parte em ouvir e denunciar as violências que sofremos todos os dias, em nome das nossas filhas, por nossas mães, por todas as mulheres que ainda vamos gerar e trazer o mundo e por nós mesmas, afinal, a luta é nossa.
A todas vocês dedico estas palavras e para todas as outras que sofreram e morreram, aos poucos, enquanto você lia este texto.







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