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10 de junho de 2019

@tiff





Via Tumblr/Essa foto é sua?

O que você pensa que está fazendo andando por aí, como se fosse o dono do meu mundo, e se apropriando do personagem que criei?

Não use essa camisa de botões, se não quiser que eu vá abrir botão por botão, até sentir sua pele morena, macia e quente nas minhas mãos.

Não use esse jeans rasgado, nem desfile com essa guitarra por aí, com esse estilo gostosinho, se não quiser que eu tire sua calça, somente pra ver a sua reação e por quanto tempo você manteria a pose, sem errar uma nota.

Não encoste sua mão no meu pescoço, quase acariciando minha jugular, se não for me puxar pra mais perto e sentir o meu gosto. Nem tente disfarçar, elogiando qualquer pequeno colar ou brinco que eu esteja usando.

Não me olhe, nem me encante se não for pra me tocar. E não me toque se não quiser que eu seja sua.
Não cante pra mim, se não quiser me ter, e você prometeu que faria.
Porque, embora, você já tenha, inteira e ardente. Eu não sou sua.

Você não é ele, eu o inventei, justamente para viver o que eu não posso, porque a escolha e abnegação foi somente sua. Eu não estou aqui para me negar nada.

Não tente dizer que somos amigos, nem que quer manter a amizade, porque nós sabemos perfeitamente que não será possível, como o Ed Sheeran canta em “Friends”, e sim, essa sou eu te indicando mais uma música, que eu gosto, só pra depois você aprender a tocar e me encantar, por horas no telefone, antes de eu ir dormir. Como se me desse um pedacinho do céu.

Não me julgue por ser tão intensa e entregue, e boa demais em somente ouvir o meu coração. Porque foi isso que eu fiz, eu o ouvi e cantei ele pra você, os seus solos de guitarra foram os melhores acordes e as melhores notas, nós fomos tudo, e não fomos nada. Sentimos tudo, e não vivemos nada.
E a gente nem gravou.

Você também me prometeu que gravaria uma fita com solos de guitarra e músicas que você escolheria, uma por uma, exclusivamente pra mim. E, mesmo com tudo isso, eu não consigo decidir se a quero ou não.

Porque eu só te inventei na minha mente, te escrevi e idealizei, porque eu queria sentir uma parcelinha das coisas que você poderia me proporcionar, das coisas que poderiam ser e não foram. Nem vão ser.

Então, para, não me mostra o que eu idealizei nos meus textos, nem faz parecer que o mundo gira em torno de mim, embora eu saiba que não. Não me encara e sorri, não fica tão perto, nem me dê tanta abertura como você dá, porque, mais uma vez, como canta o Ed em “Friends”: amigos não me tratam como você faz.

Para de me dar flashes das coisas que escrevi, com as coisas que faz pra mim, para de querer ser o carinha dos meus textos, porque diferentemente de você, ele tocou a mocinha como o melhor instrumento que ele já tinha tocado.  Ele se deliciou com notas dela, na entrega, nos sons que eles produziam juntos.

E você?!
Bem, é somente um silêncio ensurdecedor, um grito mudo, desesperado, que ninguém escuta, porque você sente tudo, mas não faz nada.

E eu sou somente a mocinha impedida de viver a própria história.


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Esse texto é do projeto MONDAY - Conte sua história e ela virará poesia.
Essa carta fiz a pedidos da @tiff, espero que tenham gostado como ela também gostou.
Caso queira que eu escreva sobre você, só mandar um oi para mim no meu facebook ou no meu e-mail!

:)

25 de março de 2019

@zeze



via reprodução google
Na maioria das vezes as noites são frias, e eu já me acostumei com o medo.
Eu nunca sei quando vai ser o meu último dia, sabe, então eu vivo cada dia como se fosse o último mesmo, me apego às pequenas coisas que vejo ou que me veem, como um pombo que se aproxima para comer os farelos dos farelos que eu como, ou quando alguma criança me olha com um olhar de pena.

Certa vez, uma menina andava de mãos dadas com a mulher que devia ser sua mãe ou tia, irmã, não sei. Elas passaram por aqui e a menina cochichou alguma coisa com a mulher, quando me viu, tirou um ursinho da bolsa e me deu. Foi meu primeiro e único brinquedo. Agradeci a ela e baixei a cabeça, escondendo as lágrimas que escorriam no meu rosto. Ele era rosa, com um casaquinho branco e coraçõezinhos rosas. Hoje ele está bem surrado, sujo e fede um pouco. Coisas que não me incomodam, porque esse também é o meu estado atual.

Às vezes, se eu der sorte, consigo que alguém me veja, me perceba, e não me ignore como a maioria das pessoas fazem, como aquela moça que trabalhava na padaria aqui perto, e toda vez que ela saía do trabalho, desde que ela me viu, ela me trazia algum pão e um suco ou água, como as outras vezes em que ela sentou comigo e leu pra mim, me trouxe um casaco, e dias depois começou a me ensinar a ler e escrever. Faz muito tempo que não a vejo.

Então, as minhas noites tem sido mais frias do que antes, já que um dos caras que vive na rua, acabou roubando meu casaco, as últimas semanas têm sido de bastante chuva, e o papelão só ajuda quando está seco.

Sempre que rezo, converso com Deus e pergunto a Ele porque as coisas são dessa forma, como tantas pessoas podem ter tanto ou ter alguma coisa, e eu não ter nada... Uma casa, com uma cama aconchegante, um travesseiro e o carinho de alguém que pudesse me proteger e me curar de todas as coisas que o mundo já me fez.

Mas, eu só observo o brilho das estrelas ou os raios do sol e agradeço a Ele por ter enfrentado mais um dia, ou por ter conseguido passar a noite salva e poder acordar, porque muitas pessoas não puderam usufruir dessa dádiva.

Sinto o estômago reclamar mais do que o normal, a última vez que comi algo foi hoje de manhã bem cedo, junto com os pássaros na praça. Reviro o grande balde de lixo, procurando algo para comer, encontro uma caixinha de suco de laranja, que por sorte ainda tem um pouco do líquido, e restos de algum lanche que deveria estar muito gostoso quando foi preparado.

Como, sinto o estômago reclamar, e tomo o suco, para molhar a boca e fazer os pedaços do pão descerem pela garganta com menos dificuldade, porque embora eu já esteja acostumada com a minha realidade precária, meu corpo sabe que eu não mereço tudo isso, as coisas não deveriam ser injustas dessa forma.

Sinto umas gotas d'água molharem meu cabelo, nariz e ombros, olho para o céu e percebo que vai chover, preciso encontrar algum lugar para me abrigar, algum lugar que deveria ser um lar, uma casa, com um teto, portas e janelas para me proteger dos perigos da rua, todos os que já sofri, os que conheço e aqueles que peço a Deus para nunca precisar conhecer.

Será que um dia tudo isso será diferente? E se eu não alcançar essa diferença tão esperada, espero que esse mundo justo e melhor possa existir um dia, por todos os outros que também estão nas ruas, arranhando a superfície da sociedade, sofrendo, com frio e fome, famintos por uma realidade boa para todos. Como eu também estou.


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P.s: Eu conheço a Zeze desde 2013, ela é uma personagem que eu criei para uma apresentação teatral que tinha como tema as mazelas dos moradores de rua.
Tive a experiência incrível de interpretá-la e abri a peça de teatro (A Rua da Vida) comendo lixo, óbvio que era um lixo que eu mesma tinha "preparado", fora o terceiro e último dia de apresentação em que colocaram lixo de verdade e eu quase vomitei no palco, mas engoli tudo do mesmo jeito.

P.s2.: Você está lendo um texto do projeto MONDAY - Conte sua história e ela virará poesia.
Vocês podem me mandar um email: iasmim.luce@hotmail.com
Ou falar comigo na página do Facebook: Escritora Iasmim Santos
Vou adorar ouvir e escrever sobre a história de vocês!

4 de março de 2019

@babe



essa foto pertence aos personagens desse texto ♥


Você pode ler ouvindo Zayn Feat. Sia - Dusk Till Dawn 


De presente de copeira para a vida, eles se encontraram no escritório de advocacia. A copeira disse para ele que tinha algo no escritório que ele precisava ver, e quando chegou lá, com seu jeito todo estabanado, encontrou-a.

Ela com o coração que não cabe no corpo e com a alegria iminente exibida em cada sorriso espremido na sua boca de batom vermelho, com todos os seus sentimentos expostos nos seus olhos castanhos escuro que parecem um mar, que todo o mundo iria querer nadar, porque ela é intensa assim, sentimento purinho, e os que não sabem nadar, acabam aceitando a opção de afogar-se e ter cada partícula do corpo preenchida pelo amor que ela é, porque é viu, ela é todinha amor.

Ele, com sua barba bem feita, seus dentes branquinhos e seus lábios rosas, o cabelo estilo john mayer, um sorriso que morde e conquista qualquer mulher, e um jeito espontâneo, estabanado e ingênuo de ser e ver as coisas e o mundo a sua volta. Ele age como se não quisesse impressionar, mas é difícil não tremer na base quando você o vê pilotando a moto, a cento e quarenta quilômetros por hora, com um capacete extra a tira colo, salvando os casos em que precise dar carona a alguma moça bonita.


Foram tardes excitantes no escritório de advocacia, em discussões sobre coisas totalmente nada a ver com o trabalho, em que ele pedia conselho às meninas presentes e ele era o único rapaz da sala, levantando o dedo no meio da tarde e pedindo se podia perguntar uma coisa, fazendo-se presente. E ela o notou.

Foram inúmeros bilhetes em post-it, carinhos tipo o Walter que é o corujinha de pelúcia, o cactus Brutus que foi comido por vários gatinhos, e a Rainbow que é o novo cactus, o bebê arco-íris deles dois... Coisas assim, despretensiosas, que não conseguiam esconder, de jeito nenhum, o que saltava pra fora deles.

Do escritório e dos post-its para o refúgio que o apê em Tower Center e o abraço dele se tornou, e para as declarações de amor em cartas métricas que os olhos entregavam um para o outro, quando se olhavam por dez ou vinte segundos, ao desviar o olhar da tela do computador, só para se encontrar um pouco, e sorrir ao perceber que estavam ali, desde o primeiro momento.

Ele a conquistou de forma leve, tirando-lhe sorrisos e gargalhadas, mostrando-na como as pessoas podem ser únicas, incríveis e sinceras sobre si mesmas e sobre o mundo, com uma ingenuidade quase inacreditável, e ela só acreditou porque viu isso nele.

Ela o ganhou com sua voz e seus olhos que ficam miúdos quando está com sono, com o abraço e o toque reconstrutor que ela tem, como se ela fosse capaz de refazer todos os pedaços que ele havia quebrado dentro de si, e ele sempre quebrou-se mais do que deveria, e ela estava lá, com todo o coração e amor que tem dentro de si, simplesmente assim. Ela estava lá.

Eles se tornaram amigos, amantes, refúgio. Construíram um paraíso particular, um mundo secreto para eles dois. O segredo que eles nunca poderiam contar e seus corações nunca seriam capazes de esquecer.

Eles são os personagens mais bonitos da vida real, porque eles escrevem cada página e dão ponto continuativo em todo parágrafo na esperança de que a vida dê chance para que eles dois continuem vivendo essa história que construíram juntos, desde a copeira até quando eles, finalmente, deram o primeiro beijo, ansiosos e com corações excitados demais para baterem em compassos normais, até que quando ela desceu do colo dele, precisou de um time para recuperar o fôlego.

Então são cartas de amor métricas, post-its, carinhos, abraços, beijos, crises, choros... e o medo. Medo de precisar dizer adeus algum dia, medo de eles não serem o depois do "felizes para sempre" mas sim o antes, e o livro estivesse chegando ao final.

E eles precisariam se despedir da copeira, dos amigos em comum, dos momentos e das lembranças, como as vezes em que eles pularam amarelinha na quadra próximo ao apartamento dele, ou como eles cantam alto assim dentro do apartamento e ficam imaginando que os vizinhos pensam que os dois são loucos, e talvez o sejam mesmo, um pelo outro, se desfazer também da vez que surtaram e descontaram na moto, a cento e quarenta quilômetros por hora e era ela a mocinha atrás, gritando a plenos pulmões sobre como a vida pode ser tão bonita e injusta ao mesmo tempo.

Porque agora ela o tem, e talvez seja só até agora. Talvez o livro esteja acabando, e depois de ele ter surfado tanto no castanho dos olhos dela, depois de ela ter sido o perfeito motivo para o capacete extra, eles terem sido o refúgio, o amor e o presente um do outro, eles precisariam dizer adeus.

Sem nenhuma palavra, pra não doer tanto.
Ou com todas as palavras do mundo, para ver se dói menos e o livro não acaba.
Porque a lembrança da boca dele na dela, nada vai apagar.
E seus corações nunca...
nunca vão esquecer.

(...)

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Eu poderia ter terminado esse texto com o "the end", deixaria vocês imaginando se a história deles continuou depois do fim do texto ou do que aconteceu entre eles, ou fazer vocês pensarem que isso foi só uma história que inventei e quis que acabasse assim, porque a vida é muito sobre isso, ter tudo, e de repente não ter nada.

Mas, eu preferi me manter exatamente como eu sou: a observadora, não sei absolutamente de nada, e foi um desafio muito grande escrever esse texto.

Tirem suas conclusões.

Esse é o projeto "Monday - conte sua história e ela virará poesia" - toda segunda escrevo sobre a história de alguns de vocês aqui no blog, quem sabe a próxima história é a sua?

16 de julho de 2018

@flor




Você pode ler ouvindo Maron 5 - Girls Like You


Esses dias enquanto assistia um capítulo da novela das nove em que mostra o encanto e carinho de duas pessoas se conhecendo, se descobrindo, aprendendo a  amar, uma amiga comentou sobre como eu fiquei boba e pensativa, e traduziu exatamente o que meu coração calejado dizia: eu queria alguém assim, ser tratada desse jeito, mas eu queria que fosse ele.

Eu posso receber o amor do mundo inteiro, ter nove homens ideais na minha frente para escolher, mas eu só quero ele.

Acho que por isso eu tenho transferido o que sinto de um rapaz para o outro, na tentativa de suprir o que ele não me dá, como se eu possuísse e exorcisasse meus sentimentos dos diferentes caras aos quais beijei, encantei ou transei.

É como se eu soubesse do que ele é capaz, mas ele insiste em não fazer, é como se eu sonhasse e projetasse os meus sentimentos que são sempre mil vezes maior que meu corpo e coração, que nunca cabem em mim, e os transferisse de boca em boca, na tentativa de encontrar alguém que enxergue o tamanho de quem eu sou, enquanto ele não percebe a imensidão que tem aqui pra ele. 

E mesmo que seja bom, tenha uma boca gostosa, um sorriso que me coma inteira, olhos verdes, castanhos, ou azuis, mesmo que me toque como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo, ou me deseje como a delícia que poucos esquecem, não adianta nada, porque não é ele. 

Não sei se posso chamar isso de amor, nem se posso dizer que o amo, porque eu estou sempre buscando em outros o que ele não me dá.

E, se eu o amasse realmente, o que ele tem não deveria ser o bastante para mim?

E, se ele fosse realmente o amor da minha vida, ele não deveria preencher as lacunas que ele insiste em deixar vazias?

Por fim, por que eu o quero tanto, se tenho todos os outros? Mas, do que adianta eu ter todos se eu só quero um?

E pior ainda: se eu projetar todos meus sentimentos em alguém que também seja imensidão, será que eu vou ficar satisfeita ou ainda assim, vou continuar sonhando e projetando o amor que parece ser todinho dele?

9 de julho de 2018

@gabi






metade de mim te ama, e a outra metade só te quer,
metade de mim te quer na cama, e a outra não sabe se te quer

por ora, eu não te quero mais, porque você não é mais o que eu queria ontem
e quero agora
porque você foi fraco, covarde e insensível
isso que dá querer amar alguém imprevisível

uma parte de mim quer te falar sobre como meu coração ficou apertado nos últimos dias
e a outra parte de mim quer que você se foda, porque você foi um covarde, fraco e insensível
uma pena você ter medo de mulher impossível

eu te queria sim, você havia se tornado a minha conquista particular
e o que era só desejo, se tornou pessoal para eu aceitar que você me postergasse

ansiosa, altinha, apaixonada,
louca,
louquinha
por você

uma pena que de chamas você se transformou em apenas um cara fraco, covarde, insensível
e um pouco mais previsível


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(Essa é a poesia sobre a história da Gabi, que tal dividir sua história comigo?